ASAS


Voltar a aprender a andar


Pelo projeto já passaram cerca de 80 pessoas, na esmagadora maioria com problemas com o álcool, mas a fidelização ao projeto é ainda fraca, fruto das idiossincrasias das próprias problemáticas e dos contextos sociais e familiares.

"O problema é a fidelização e a responsabilização de cada um para a participação no projeto e verem-no como uma resposta efetiva para a sua recuperação. Nem sempre é fácil e, como nunca tinha existido nada do género, estas pessoas não estavam habituadas a terem respostas para elas e também tiveram que se adaptar. Sempre houve uma entrada e saída de utentes, mas temos um grupinho que se fidelizou, cerca de 16 pessoas, muito fiéis ao projeto, às atividades, ao centro comunitário, á ASAS e aos colegas, que já consideram amigos", explica Natércia Rodrigues.

Já para a diretora do Serviço Social da ASAS todo o processo de recuperação e reinserção é "como aprender a andar novamente". "Este vai - vem dos utentes tem muito que ver com o acreditar, e isso demora algum tempo, que é possível mudar de vida, ficar abstinente durante um período longo de tempo, as pessoas olharem para eles de forma diferente, ter um relacionamento de igual para igual com as outras pessoas, mas quando se começa a acreditar que com algum apoio, porque a força para mudar tem que estar neles, é possível a mudança, é como uma bola de neve", argumenta Maria do Céu Brandão.

Atualmente frequentam o (RE) Inserir na Trofa 31 homens e apenas cinco mulheres, quase todos entre os 40 e os 50 anos, que no âmbito do projeto se reúnem três vezes por semana para uma aula na piscina, e por vezes no ginásio, participarem no grupo de auto-ajuda e ainda no atelier de culinária, que, no fundo, são almoços-convívio em que os utentes é que organizam e fazem tudo, numa atividade que tem sido fundamente para a criação de laços de amizade e a aquisição de competências sociais.

Umas das lacunas que ainda subsiste, mas não está ausente do projeto, é a inserção profissional, pois dos 36 frequentadores, apenas dois trabalham.

"Os restantes são desempregados de longa duração, em que os consumos estiveram diretamente relacionados com o desemprego", refere Natércia Rodrigues.

"Uma missão que está sempre presente neste processo é a inserção social – profissional, mas primeiro começámos pela inserção pessoal, social e familiares. E há muitos cuja inserção no mundo de trabalho, pela condição débil de saúde, será muito difícil e nesses casos nem é o que nos preocupa, embora seja sempre um fim último nas pessoas com condições e capacidades para, a curto ou médio prazo, virem a integrar o mundo do trabalho" explica Maria do Céu Brandão, que revela estarem a ser desenvolvidos contactos com instituições e entidades do concelho para, mesmo que de modo voluntário, sejam encontradas ocupações para estas pessoas.

Em tempos perdidos para a vida e, na maioria, marginalizados pela sociedade, hoje os frequentadores do (RE) Inserir na Trofa recuperaram a dignidade, fruto do apoio do Centro Comunitário da Trofa, mas fundamentalmente pela enorme força de vontade de mudar de vida e, acima de tudo, de voltar a… viver com um sorriso nos lábios e a esperança no olhar.

Dois casos de sucesso em que a família é decisiva.    

José Santos, 43 anos, desempregados, casado e pai de cinco filhos. Até há quatro anos, alcoólico.

Domingos Claro, 46 anos, padeiro/pasteleiro desempregado, casado e pai de dois filhos. Até há três anos, toxicodependente.

José e Domingos são dois casos diferentes no percurso e na dependência, mas semelhantes no sucesso no seio do projeto (RE) Inserir na Trofa. Em ambos os casos, o fim da dependência teve na família o grande impulsionador.

"Por causa da droga a minha vida começou a descambar", começa por contar Domingos Claro, que durante oito anos foi proprietário de uma Padaria/Pastelaria, que vendeu por causa da droga, mergulhando de seguida na heroína e na cocaína até que… "a mulher me pôs for de casa", recorda, ao mesmo tempo que confidencia: "Foi um período muito difícil para os meus filhos, que até tiveram que andar no psicólogo". Depois de dois tratamentos e uma recaída e um grave acidente de viação que o atirou para o hospital pelo meio, Domingos está limpo há três anos, mas: "Estou em recuperação todos os dias. O problema está comigo e estar na ASAS lembra-me que tenho que lutar contra isso todos os dias.”

Por seu turno, José Santos lembra que "desde pequenino" sempre bebeu, tal como o pai que "bebia muito". Epilepsia e tuberculose são apenas dois dos problemas de saúde que o afetam e impedem de encontrar um trabalho permanente, depois de vários trabalhos temporários. Também para este natural de Ribeirão, mas a residir na Trofa, o papel da família foi fundamental para deixar o vício. "A minha mulher sentia-se muito mal e os meus filhos também, porque eu quando bebia perdia as estribeiras”, confessa, sustentando que a sua vida "mudou muito" desde que não bebe: "Estava sempre no café, não me interessava a família e andava sempre metido em zaragatas. Agora não e passo muito mais tempo com a família". Para José, que foi reduzindo o consumo até á abstinência, "estar ocupado é muito importante para não ir para o café" e, nesse capítulo, o projeto é ótimo: "É um grupo muito unido, os outros ajudam-me muito e a Dra. Natércia é muito compreensiva."



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